Sobre sua intimidade
Você já viu um filme pornô?
Provavelmente sim. E sozinho, quando achou que ninguém estava te vendo. Foi quando surgiu na consciência um “estou só...”, que rapidamente progrediu para uma verificação do restante da casa e das janelas, aguçando sua audição para qualquer abertura de porta inesperada ao passo que olha fixamente para a tela do computador. Se você pudesse lhe ver, e não estivesse controlado pelo desejo, provavelmente se consideraria um psicopata.
Mas o que eu acho engraçado sobre os filmes pornôs é como eles podem, em instantes, surtir um efeito inversamente proporcional ao prazer que se busca com eles. Foi uma discussão minha e da Méuri dias atrás. Experimente, depois de checar a casa, as janelas e fixar os olhos na tela, olhar para o rosto da mulher ou do homem, resistindo ao desejo de olhar para o sexo. Ele ou ela, do outro lado da tela, é uma pessoa, assim como você!
O vídeo não foi produzido “do nada”, as pessoas ali tem uma história de vida, com direito a família e amigos. Então você, excitado em baixo e confuso em cima, começa a divagar desenfreadamente: aquela mulher não teve oportunidade e está gravando um filme pornô, ou então aquele homem não soube aproveitar as chances que teve e olha só onde foi parar, e aí está você, usando duas pessoas que não obtiveram sucesso na vida para obter prazer. Nisso, o fluxo sanguíneo já subiu há muito e um peso na consciência está pronto para cair sobre ti.
É claro que, na maioria das vezes, a divagação não dura mais que alguns segundos. Rapidamente o filme pornô consegue reativar o desejo inicial. O fluxo desce, o peso some, e lá estão aquelas pessoas-objetos te dando prazer novamente. Pode até sobrar um resquício daquela consciência social toda, e você pode até se culpar um pouco depois. Mas se isso acontecer, um famoso conselho cabe aqui: relaxe, meu caro, e...
2 comentários:
ainda não concordo com a parte do 'eles não tiveram oportunidades'. galera escolhe ser ator pornô, igual cê escolheu, sei lá, ser engenheiro. (:
ou, eu pensei nisso na hora de escrever. mas o texto foi ficando grande, grande, graaande... e ficou outra coisa. aí larguei pra lá :P
(mas eu sabia que você ia notar)
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