163 Rascunho do dia 29/05/2012, “Energia do Sistema de Partículas”

O texto abaixo não é um trabalho de Física, mas sim um texto escrito quando eu era inconformado com o distanciamento dos “A”migos (e provavelmente num período próximo a alguma prova de Física). Eu não sei bem o que eu quis dizer, no entanto, posso afirmar que isso não é um incômodo mais.

A análise indicou que a energia mecânica total do sistema não satisfez as previsões, e não se conservou.

O sistema possuía seis ou sete partículas, de modo que cada qual tinha sua energia potencial A (que, nesse caso, era dividida entre a própria partícula e o sistema), sua energia potencial elástica U (inerente à partícula apenas, e a mais ninguém), e todas caminhavam com igual energia cinética K. A energia potencial gravitacional P era então desconsiderada.

Era esperado que a energia mecânica E = A + U + K se conservasse por muito tempo – e por muito tempo ela se conservou. Através de inúmeros experimentos, as partículas foram unidas e reunidas. O objetivo era manter A igual para todos (árdua tarefa, haja vista que cada uma possuía o valor K diferente). Por vezes, uma ou outra partícula se afastava, mas nada permanente.

Entretanto, observou-se que as partículas começaram a se movimentar para diferentes trajetórias, porém ainda compartilhavam o mesmo valor K. Houve diminuição de U, e notou-se que nem todas possuíam U suficiente para que E se mantivesse constante. Tentou-se remediar essa situação com mais reuniões, mas ainda sim a tendência persistia.

Notou-se que a energia potencial gravitacional P agora agia sobre as partículas, puxando-as para o chão. K estava diferente em parte das partículas, e A estava reduzindo. Dependia de U para que E = A + U + K se conservasse, mas não havia U suficiente em todas as partículas.

Então se percebeu que uma das partículas estava sob pouca influência de P, que objetivava manter E constante. Quando foi mais bem estudada, pode-se ver que sua energia potencial elástica U (ressaltando: inerente a ela somente) dependia de sua energia potencial A (dela e do sistema). Para U tendendo a valores baixos, A também tendia a valores baixos.

162 Implicações póstumas

Um medo: morrer de repente. Não por “morrer” e nem por “de repente”, mas por duas implicações: se acontecesse hoje, #1: eu provavelmente não seria cremado e #2: eu morreria com muitas e poucas histórias só para mim.

#1: quando eu partir, quero ser cremado junto com a Jennifer, minha bolinha de tênis, e lançado bem, bem longe de minha casa. Se possível, gostaria que não houvesse um funeral pelo fato de eu detestar essa prática, e nem demonstrações públicas digitais de que sentem minha falta (entenda: fechem meu Facebook).

Entretanto, tenho que admitir que essa primeira implicação é puramente irracional. Não devo ser cremado porque morrer virando cinzas é bem caro, e um funeral é 90% certo. Porém, morto, não terei que me preocupar com meu corpo ou com Jennifer. Então isso é só um capricho, na verdade.

#2: tem tanta coisa que eu queria compartilhar e ouvir que eu e você (talvez) nunca teremos a oportunidade (ou a coragem) de contar... Morrer de repente seria ruim porque me privaria de te encher os ouvidos com filosofias e psicologias de bases duvidosas que eu tanto gosto, e eu também queria saber mais de você antes de partir (mas não tudo, quero deixar alguma coisa para a imaginação).

Planejei escrever um texto final, um testamento/carta póstuma contando as minhas histórias, para que eu esteja preparado para morrer de repente, se é que isso é possível. Mas tem um problema: é difícil escrever sobre esses contos bobos (mas alguns bons) que a Jennifer sabe e você não. Não devia ser, eu acho, mas é. E isso leva a outra implicação.

Um paradoxo: eu tenho medo de não compartilhar minhas histórias por conta de minha morte, mas também não tenho certeza de que consigo compartilhá-las antes dela.

161 Amy à caneta num panfleto

Pen drawing of Amy

Fiz esse desenho durante a primeira aula de Física III da semana e deixei embaixo da carteira para alguém achar. Dois dias depois, Camila me entrega, falando que eu devia tê-lo esquecido na sala. Acho que o desenho não queria ficar com mais ninguém, então fiquei com ele até hoje.

Sinto saudade de músicas como as da Amy. Acho que eu gosto tanto do som dela porque eles me fazem querer tatuar algumas partes das músicas, senão elas inteiras. “You know I’m no good”, “tears dry on their own” e (a campeã) “love is a losing game” dariam uma boa tattoo, acho eu. Um dia quem sabe.

160 Sonhei numa manhã de outubro

Estávamos no colégio durante a semana de olimpíadas. Perto de um bebedouro com duas cômodas em cada lado, coloquei meu caderno argolado em cima de uma delas e logo bateu o pensamento:
— Preciso estudar.

Meu primo apareceu, mas logo sumiu. Uma pena ele ter terminado com a namorada. Andei por corredores que nunca tinha visto e abri umas portas que nunca tinha aberto para chegar num ginásio e, de repente, ver o Chi.

— Chi! Você voltou! Não me fa—
Interrompeu falando que tinha que sair com uns caras do colégio, sorriu amarelo e falou que eu não podia ir “por que você sabe, não é?”. Vestia uma polo verde e parecia ter 23, 24 anos. Por que ele não me avisou que tinha voltado há tanto tempo? Talvez ele me desse uma carona na hora de ir embora.

Dois horários para sair daquele colégio. Num espelho, eu estava de abrigo e tinha uns 15, 16 anos. Trombei com alguém grande no corredor: era o Roscão, e atrás dele, a Méuri, de cabelos pretos, longos e cacheados. Pediram para ver o meu caderno enquanto eu ia ao banheiro; quando voltei eles tinham sumido.

No lado de fora, reparava nas árvores em folhas que indicavam um outono bravo. Fui para a saída ver se o porteiro conversava comigo, mas cruzei com o coronel, o marechal e uma prole atrás. Tive que bater continência. O marechal me cumprimentou; ele era senil e só mais uma prova que aquele colégio estava em seus últimos suspiros.

O Chi apareceu e disse que não podia me dar carona, porque não estava com o carro ou iria para a casa da Su. Saiu andando com aqueles caras do colégio enquanto eu sentava na terra embaixo de uma árvore nua. Eu podia ter ido embora há muito tempo, mas eu sempre espero. Senti uma cutucada no ombro e era a Mona num vestido vermelho e num sorriso maléfico:
— Eu já te falei uma vez: o seus problemas são problema seu.

Acordei.

159 Alguém bem, bem melhor que você

Tem sempre alguém que é bem, bem melhor que você.

Tem sempre alguém que rende 90, e você só rende 85. Tem sempre o Top 1%, e você só é parte dos 10%. 90 no teste não são nada perto dos 95 dele. Os números não vão te ajudar, porque eles estão do lado daquele que é bem, bem melhor que você.

Cadê aquela época em que você entrava de uniforme no cursinho e se achava a nata da sociedade? Mas aí você lembra: naquela época, também tinha alguém que era bem, bem melhor que você. O alamar embaixo do ombro e as espadinhas na formatura não podiam ser seus, porque eles já eram daquele que era bem, bem melhor que você.

Seus números e seus méritos são a base. Se algo estiver abaixo da base, não existe. Tem sempre alguém bem, bem melhor que você, mas você mesmo não é bem, bem melhor que ninguém.

Eu queria escrever mais, mas os alguens que são bem, bem melhores que eu irão acordar cedo e eu tenho que o fazê-lo também.
Então até algum dia que bater a vontade escrever.

158 One day

One day, we’ll be in front of a beautiful view.
I won’t look at you, and I’ll say
— You know, you were my first love.
You won’t look at me nor say anything,
but I’m sure you’d be thinking
— I know.
And I’ll wish for you to say
— I felt the same thing
because I know you did, even if only for a night.
There’ll be more silence,
we’ll stare that beautiful view,
we won’t look at each other.
In the end, we’ll walk silently and slowly towards somewhere else
pretending to be okay
and I’ll still be wishing for you to say what you really felt
for your head to come closer to mine
and for your lips to touch mine.
Even knowing that I’ll never feel you
in the way I’ve sadly wanted to.

157 Desenho do photoshoot de Nobert Bäres e o empasse ante sua publicação

Terminei hoje minha reprodução de uma das fotos de um photoshoot do fotógrafo alemão Nobert Bäres – escolhi essa porque os olhos dos três modelos não eram visíveis, e ainda sim eu sentia o desejo em suas expressões e em seus corpos –, mas não sei se publico no Facebook. Não pelo medo de ser repreendido ou julgado pelas tias (“o que é isso menino!”) ou colegas (“que desenho meio gay”), mas pela preguiça de lidar com essas repreensões/julgamentos.

Por enquanto fica por aqui. Por enquanto.

156 Numa conversa dominical noturna

— Mas vocês vão se afastar mesmo.
— Eu sei. É que desapegar das coisas é um pouco difícil.
— Muito.
— Mas eu não sei se a dificuldade está no desapego em si ou no quão fácil elas se desapegam de você.

155 Pequenos fatos

As pessoas deprimidas tendem a ter ações mais calmas em situações estressantes. Afinal, elas já esperam pelo pior.

Realizar a divergência entre expressão e fala com o pensamento aumenta a criatividade. Um exemplo é dizer eu não me importo pensando eu te amo.

O mundo não é justo, mas as pessoas (ou pelo menos a maioria delas) precisam acreditar que ele é, pois assim os malfeitores serão eventualmente castigados. Mas nem sempre eles são.

154 Não caia nessa

Agora a pouco li um texto num site que pregava a “fala com o coração”. Provavelmente inspirado por esse vídeo:

Depois de palavras tocantes, uma chuva de comentários emotivos e um vídeo tão simplório, só tenho a dizer:

NÃO CAIA NESSA!

O que o texto e o vídeo não dizem é que na maioria das vezes se abrir é um desastre. Deixar uma pessoa tudo o que sente faz bem? Não caia nessa. O R.E.M. já cantou uma vez, mas só tendem a se lembrar disso quando estão sofrendo: Everybody Hurts. TODO mundo vai te machucar, intencionalmente ou não. E você também já deu umas porradas numa penca de gente.

Liberte-se dessa “ditadura do sentir”. Seja aquela caixa de bombons sem fundo secreto. Você veio a esse mundo sozinho, e irá sozinho também: aprenda a ser só durante o meio.

Não se deixe guiar pela emoção e pensar “quanta amargura acabei de ler!”. Não é amargura, é a verdade que você mascara com seus infinitos sentimentos. E quando alguém perguntar “tá tudo bem?”, já sabe não é:
— Sim, estou bem! (porque não é da conta de ninguém se não estiver).