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“Rehab”, Amy Winehouse

          — Você tem mais é que tomar vergonha na cara! Para com isso!
          Apenas sorriu para ela. Lembrou da Amy, cantando “Rehab” em um bar qualquer. Ela sabia descrever muito bem o que sentia. Charlize ainda ameaçava:
          — Continue com isso, e eu não levarei mais nada adiante! Eu vou me afastar, Paris!
          Paris olhava para o chão. Seus olhinhos iam do tênis branco até a calça jeans azul clara que amiga vestia. Já estavam gastos. Não queria que seus olhos se cruzassem.
          Charlize continuava falando para ela pensar sobre o que estava fazendo, por que ela estava fazendo isso, “reze, Paris, reze!”. Paris só olhava seus cadarços desamarrados.
          — Não vai ser a primeira nem a última vez que eu vou lidar com essas coisas sozinha. Pode ir, Charlize.
          O silêncio estagnou por uns vinte minutos. Charlize retomou seu discurso. Paris ainda olhava para seus cadarços.
          Ainda não se sabe se Paris parou de fazer o que quer que estivesse fazendo ou se Charlize realmente não levou mais nada adiante. Sabe-se que as duas escutaram o Rehab da Amy naquele dia.

“Lovesong”, ADELE

Aquele momento em que você olha para ela e tem algo a mais ali. Estaria diferente? Não, o que mudou é que você a enxergou, não apenas olhou. Ali, do seu lado, a mesma, porém nova. E aí você pensa:

I could love you.

(“could”, porque “can’t” nesse momento)

I could love you like a

“Do I Wait”, Ryan Adams

Do I want to say the things I say
When I know that they are wrong            I’ve been waiting here all night
Do I wait here forever for you             If you’re not going to show, we’re not gonna fight
Would you ask me to?                       I could stay forever if I tried
                                           Surrounded by things, like a shadow in the light
Do I try and stay still for you?
And the clowns who park here fill the emptiness of the room
Do you watch me from the corner of your eye
Do we say goodbye?
                                        I waited in the wings for you to appear
Do I wait?                              But you’re never coming back, you’re never gonna feel
Do I wait?                              Like we did, I waited all night
Do I wait for you?                      I tried to let you go like a shadow in the light
Do I wait?                              The light...
Do I wait for you?

Do I wait here forever for you?

Did you aks me too?

Tenho que esperar? Eu sentia falta de me reunir com alguns Amigos, e uma vez ouvi: espere pelas férias, nos reuniremos todos novamente! Mas tenho que esperar?

O caso é similar àquelas primeiras férias em uma escola nova – nas férias, seus “amigos” desaparecem, só para surgirem de novo nos primeiros dias de aula, contando todas as novidades.

Eu me pergunto: que tipo de Amizade é essa? Some durante algum tempo, põe a culpa nos estudos, trabalho, etc. para depois surgir como se não houvesse problema nenhum? Temos tantos meios de comunicação hoje em dia... Que mal faz dar um oi pelo celular, pelo Facebook? Nem que seja um oi corrido, um oi sem tempo – só um oi já demonstra interesse, e interesse é tudo – também ouvi uma vez.

Portanto, esses Amigos desaparecem não só por conta do dia-a-dia corrido que todos temos, há uma pitada de comodismo – eles só aparecem quando corro atrás. E pior: há uma pitada de falta de interesse aí.

Só falta de interesse não faz com que uma Amizade acabe. Seria radical demais. Mas penso que é suficiente para que a Amizade perca sua letra maiúscula especial, e se torne mais uma de minhas amizades.

“Everybody Hurts”, REM

Trilha sonora para os que, assim como eu, se pegam em um fim de noite qualquer divagando porque fulano não se importa mais, por qual motivo acabou, se o tempo realmente cura e se um dia tudo será como antes… Perguntas que não podem ser respondidas somente por você e você sabe disso, mas mesmo assim continuam povoando o imaginário. You are not alone, everybody hurts.

“The Bay”, Metronomy

Que vídeo é esse! Lugar maravilhoso, gente bonita, e fotografia espetacular regados a uma boa música.
Quiçá uma música-tema de um PF do futuro… Tomara!

and I bet the bay feels better than I am today

Me bateu uma curiosidade e fiz uma pequena pesquisa: o vídeo foi filmado em Torbay e Torquay, uma baía e uma cidade, respectivamente, ambos no sudoeste da Inglaterra. Torbay é conhecida como “English Riviera” (de onde o Metronomy nomeou seu álbum) e possui muitas praias, um clima ameno e é destino de muitos ingleses em feriados e afins. Já sei para onde vou no final do ano (agora de qual ano eu não sei).

“So Happy I Could Die”, Lady GaGa

Right now my B side

Wants to be

Touching and feeling

In the middle

Of her king and his queen

 

“Don’t You Remember”, ADELE

I know a have a fickle heart, and a bitterness, and a wondering eye, and a heaviness in my head
But don't you remember? ...Please, remember me once more.
 

“Everybody’s Changing”, Keane

...'s not calling me. :/ well, whatever. :) everybody's changing, but I may be alright now.

“Grace”, Kate Havnevik

Quando escrevi “Desaparecendo”, escrevi pensando nos cinco estágios do luto e como eles não se aplicam somente à morte em si, mas também aos pequenos desaparecimentos que ocorrem com o passar dos tempos. Um hábito que deixa de existir, uma pessoa que não mais se vê, um sonho que perde a validade… Eles… Desaparecem. O texto foi baseado também na música da cantora Kate Havnevik, Grace, que me traz um misto de paz e desapego com sua melodia.

Nada vem fácil (então) Preencha este espaço em branco (porque)
Nada é do jeito que era (portanto) Transforme meu sofrer em graça

DESAPARECENDO

Tudo me é estranho. Nos olhos, apenas branco. Estou solto, caindo, eu desejei isso, mas por quê? Por que acontece agora?
Negação
Parece tão irreal. Pretendo sentir raiva, sentir um desapontamento por cair. Mas não consigo me sentir, tudo parece externo. Eu professo palavras de fúria, quero daqui sair. Porém é tudo tão branco e tão silencioso, ninguém parece me ouvir.
Cólera
Será que estou de joelhos? Quero pedir que me deixe subir, que apareça qualquer mão para cima me puxar. Prometo que, se alguém me salvar, não deixarei aquele lado aparecer em mim – esse, que desejou estar aqui. E não mais seria auto-piedoso, não mais fugiria sem rumo, não mais precisaria de alguém para me salvar de mim.
Barganha
Mas tudo já não importa mais – só me sinto cair. Nada físico para segurar. Apenas memórias para me apegar, apenas lembranças dos rostos de todos: eu tento tocá-los, mas eles podem sim viver sem mim. Pessoas desaparecem, sentem a angústia de não terem dito o tanto que tinham para dizer. Já não me sobra mais nada, somente me resta o fim. Eu vejo os rostos acima: eles estão felizes, e eu desapareci.
Depressão
Olhei para baixo. Ainda caio, mas já não preciso parar. Esse dia chega para todos, só me resta agora aceitar, afogar-me no branco e no silêncio, sem medo de olhar e de olhares. Silêncio? Não, agora no fundo já ouço sinos. Sinos leves, sinos cíclicos. Sorrio. Sim, vou preparar esse novo lar para meus amigos. Um dia eles chegarão, e aqui estarei sorrindo, recepcionando-os, contando tudo o que não disse antes. E assim, tudo se preencherá com graça novamente, porque ela já é presença em mim.
Aceitação

“Bloody Mary”, Lady GaGa

Lady GaGa:

BLOODY MARY is about living halfway between reality and fantasy

Deve ser por isso que é uma das minhas favoritas. :)

“The Price We Pay”, Rogue Traders

As vezes o que é notado é apenas o ritmo daquela música aleatória estrangeira. Não se presta atenção na letra, assume-se que, se é uma balada, por exemplo, provavelmente fala sobre como é bom ou ruim amar alguém, um rock deve dizer palavras de revolta, e o pop, bem, não diz nada.

Então, sem querer, agucei os ouvidos ontem e prestei atenção nas letras. E como elas dão uma vida nova para as músicas! É estranho, porque essas músicas aleatórias podem ser tudo aquilo que você precisa ouvir, mas que você só escuta na verdade. E é bom ver como elas se encaixam (nem sempre tão bem, mas é só “metaforizar” um pouquinho) nas situações que vivenciamos. Especialmente essa, a primeira que escutei e que percebi uma letra muito bonita. O que me dá vergonha é que eu já ouvia essa música a mais de um ano! Mas, de qualquer modo:

THE PRICE WE PAY, Rogue Traders (do álbum Better In the Dark)
Composta por Jamie Appleby, Melinda Appleby e Natalie Bassingthwaighte

If you wanna ask me what is wrong
I can't say
Feeling bad has never felt this good
It's fair to say

And I'll get by 'cause you remind me
That's the price we pay for love

I'm just happy waiting by myself
Again today
Being here reminds me of your smile
So I stay

And I'll get by 'cause you remind me
That's the price we pay for love

That's the price we pay for love
The price we pay for love

“Who’d Have Known”, Lily Allen

are you mine?

arte sem motivo.

ou com motivo:
sozinho não me sinto
quando você aparece
na tela pixelizada do meu telefone

(mas que é melhor
te ver ao vivo sem motivo,
é)

Lily Allen, Who’d Have Known

 

 

 

 

 

 

 

 


“Fading”, Rihanna

f a  d  i  n   g
r  i  h a n na

“Airplanes”, B.o.B feat. Hayley Williams

I  c o u l d  r e a l l y  u s e  a  w i s h  r i g h t  n o w .

“Paradise Circus”, Massive Attack

LOVEIS LIKE

A SIN

MY LOVE

“love is like a sin,
my love,
for the one
that feels it
the most”

Paradise Circus
Massive Attack