150 Previsibilidade

­­­— E então, o que você acha?

— O que eu acho?

(Eu acho que você é uma existência patética que adora ousar, porém só dentro do seu quadradinho. Que, no futuro, será aquela figura que estudou e tirou vários A’s, que ficou tonto só na festa de formatura (e nem foi lá essas coisas), que pensou que ficar até tarde da noite fora de casa com os amigos bebendo suco foi atitude atrevida – e chamará isso de “ahhh, bons tempos...”. Será o certinho que não alucinou com nenhuma droga, que demorou milênios para transar – e quando o fez se não saiu do papai-e-mamãe; será aquela personagem que acorda num belo dia de junho e decide fazer algo diferente: cortar o pão do café da manhã. Vai ser o típico seguro que morreu de velho, e discretamente achará que isso é uma puta vantagem sobre todos os outros, os menos inteligentes e não ex-estudantes do melhor colégio e universidade que nem você. O que eu acho é que você domesticou tanto o animal que há dentro de você que, mesmo se soltá-lo, não deve fazer muita diferença.)

Ah, eu não acho nada não.

Você é mais previsível que um movimento harmônico simples.
Mais parado que constante matemática,
e aposto que você adora isso, não é?

Que pena.

Nunca vai saber o que é ser uma variável em queda livre.

2 comentários:

Ju disse...

...

Meuri disse...

Curti demais o trecho do Bukowski (: que cê ta achando dele?

E ow, texto bem revolts esse. Gostei da força de algumas frases. Mas sei lá... Não entendi o que você quis dizer.