127 Peso, férias e leveza

Milan Kundera expõe em “A Insustentável Leveza do Ser” que o ser humano é movido por um “peso”. Por peso, entenda uma obrigação que é consequência de um objetivo maior – por exemplo, o fato de você estudar para tirar boas notas e depois passar é um peso. Em um final de semestre ou ano, as férias representam “a leveza” – afinal, você passou e acabou, ou não passou, mas não há nada que possa fazer. Enfim, leveza.

Porém Kundera já mostra no título: a leveza é insustentável. Provavelmente, você já se pegou pensando durante as férias: “que droga, não há nada para fazer”. O ser humano não sabe viver na leveza, e está sempre em busca de um peso. A ideia de que as metas “acabam” depois de estudar, trabalhar, se divertir e constituir uma família é falsa: depois do último feito, certamente você vai arranjar outro objetivo, assim como provavelmente arranjou depois de ter se queixado que não havia nada para fazer.

Enquanto lia a obra, me questionei: será então que nunca seremos felizes? Criando sempre objetivos e objetivos até que a morte chegue, será que não há um final feliz? Depois de terminá-la, concluí que talvez a leveza não seja a felicidade – como acho que muitos pensam, e sim o peso. Afinal, o que é uma vida plana e, de certa forma, completa? Uma vida sem nada mais para conquistar?

Não, é certo de que uma vida assim não pode ser a felicidade. E é fato também que objetivos por vezes nos corroem e angustiam, mas ainda sim eles são aquilo que nos propulsiona para frente. O peso é o que nos mantém vivos. E não só vivos, mas muitas vezes felizes.

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